Estudo, concentração, atenção a cada detalhe e capacidade de improvisar. Características que fazem parte da rotina de um navegador de rally raid, mas que também se encaixariam no dia a dia de um ator. Pois entre os 248 competidores que encaram o Sertões Petrobras 2026, um deles vive as duas realidades. À frente de uma compania de teatro, o mineiro Enedson Gomes estreia no maior rally das Américas em dupla com Maxwell Fernandes, nos UTVs. Com uma trajetória em provas de rally de regularidade, ele vive o aprendizado de uma modalidade em que velocidade e precisão fazem a diferença.
O “intensivão”, como gosta de dizer, conta com a ajuda de um professor que dispensa apresentações. Lourival Roldan soma, no currículo, vitórias não só no Sertões Petrobras, mas também no Dakar, e andou ao lado de alguns dos principais pilotos brasileiros das últimas décadas. Os conselhos e dicas são ouvidos com toda a atenção. “Navegador no rally raid não pode ser apenas um leitor de planilha. É preciso olhar adiante, entender o terreno e antecipar o que vem pela frente”, ensina o veterano.
Enedson revela que a ansiedade aumentou quando soube que essa seria uma das edições mais difíceis dos últimos anos. “Fiquei pensando: olha o que vem para mim justo na primeira vez. A primeira especial já se mostrou muito exigente, cheguei a pensar que não conseguiria chegar ao final. Você desce do carro todo doído, parece que virou um saco de pancada. É muito diferente do Regularidade, mas eu e meu piloto nos entendemos muito bem, eu já entendi a dinâmica que precisa ser feita. De repente entramos no Jalapão e tivemos dois pneus furados em cinco minutos, muito sol, areia quente. É uma sucessão de novidades, até mesmo a caravana se movimentando, é algo gigantesco. Como competidor estou impressionado com a dificuldade e a estrutura da prova. Estou realizando um sonho e muito feliz por isso”, revela.

O mineiro vê muitas semelhanças entre os ofícios do teatro e da navegação. “O ator treina muito o jogo com o parceiro, e isso no rally é fundamental. Conseguir escutar, comunicar, tenho certeza que a minha formação me ajuda muito nisso. Até o Series Paraná não nos conhecíamos pessoalmente. Como as provas são muito longas, é muito fácil perder a concentração e cometer um erro, proporcionar um acidente. Esse exercício que eu faço há quase 30 anos no palco me dá mais calma aqui. Fora a necessidade e a capacidade de improvisar, que no rally também é importante”.